quarta-feira, 15 de julho de 2026
terça-feira, 12 de setembro de 2023
Estudo de palavras. O verbo grego ἐμφυσάω (soprar em) que ocorre apenas em Jo 20.22 quando é dito que Jesus soprou o Espírito Santo para os discípulos, é formado da preposição grega EN e o verbo φυσάω (soprar forte), esse verbo deriva de FUSA nome do fole da forja, um instrumento usado na metalurgia antiga que dava forma aos metais quando eram forjados. Trata-ve de um sopro forte e indica que o soprar do Espírito feito por Jesus era para o interior com vistas na formação do caráter de seus discípulos. Uma perfeita referência indicativa do Novo Nascimento. O fole de forja era usado perto do fogo usado para dereter o metal que era forjado, e faz também uma referência ao fogo do Espírito Santo.
quinta-feira, 17 de novembro de 2022
Estudo de palavras
Estudo de palavras
O verbo ὑπείκω (HUPEÍKO) que ocorre apenas em Hb 13.17 falando para se obedecer aos guias ou pastores é formado da preposição HUPÓ e o verbo grego EIKO que significa "ceder", "soltar", "retroceder". Tem origem em EIKÓN (imagem) o sentido é o de se assemelhar, a ideia que passa é de alguém que se submete a outro que é semelhante.
quarta-feira, 16 de novembro de 2022
Atos 17.30
Esclarecendo o texto de Atos 17.30.
O texto acima citado registra: “mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam”. Alicerçados nesse texto, alguns acham que os pecados cometidos antes de suas conversões devem ser desconsiderados. Alegam, por exemplo, que divórcios, adultérios, assassinatos e crimes que deixam sequelas sociais, foram todos perdoados e por isso não devem ser levados em conta depois que nos convertemos. Quem pensa dessa forma demonstra que não entende o que significa o perdão no cristianismo. Na cruz, Jesus recebeu o castigo da separação de Deus que nossos pecados nos trariam (Mt 27.46 comp. com Mt 7.23; Rm 6.24), quem nEle crer está livre da condenação da morte eterna; no entanto, as consequências dos nossos pecados não foram anuladas. Mesmo depois de perdoado e salvo, Paulo ainda sentia as consequências de sua perseguição à igreja (1Co 15.9). O Senhor Jesus ficará com as cicatrizes de seu sacrifício por nossos pecados para toda a eternidade.
Na verdade o texto de At 17.30 não está dizendo que Deus não leva em conta o pecado dos homens, mas que não leva em conta os tempos da ignorância para conceder-lhes o direito ao arrependimento, pois tanto a fé como o arrependimento para a salvação são concessões amorosas de Deus para os judeus e posteriormente aos gentios (At 3.31; 11.18; 13.46-48; 14.27; Fp 1.29; Tt 2.11, 12). Se o texto de At 17.30 estivesse dizendo que Deus não levaria em conta o que os homens fazem porque não sabiam plenamente a verdade, os gentios antes de Cristo não seriam condenados, seria muito melhor Jesus nunca ter vindo para salvar os homens, bastaria deixá-los na ignorância do Evangelho. E o que dizer da revelação natural da justiça de Deus, citada por Paulo na carta aos romanos, quando diz que a ira de Deus se manifesta contra o pecado, e que seus atributos invisíveis que tornam os homens indesculpáveis em suas impiedades, maldades e idolatrias (Rm 1.18-32)? Não faria sentido. O texto de Rm 2.12-16 também deixa claro que todos os que pecaram, com ou sem a lei, serão julgados por seus pecados. Os que não tinham a lei de Moisés revelavam a lei escrita em seus corações, testificando juntamente suas consciências e pensamentos, quer acusando-os ou defendendo-os. Portanto, o texto de At 17.30 não está dizendo que Deus ignora os pecados dos homens que desconhecem as normas e ensinos contidos em sua palavra escrita.
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
Mitologia cristã 1
Trecho do livro Mitologia Cristã - Uma teologia especulativa de Luiz Sousa
Por que o mandamento do Sábado (uma normal cerimonial) está nos dez mandamentos?
Os dez mandamentos representam toda a lei de Moisés que tanto continha normas morais como cerimoniais. As duas tábuas por sua vez apontam que toda a lei, com normas morais e cerimoniais se resumiam nos dois maiores mandamentos de amar a Deus e ao próximo.
Os nove mandamentos morais do decálago é que seria o representante ou número que apontavam um todo, como os nove dons espirituais e as nove virtudes do fruto do Espírito.
Ter apenas um único mandanento cerimonial que apontava o antítipo do descanso em Cristo, quando um sábado de descanso de obras seria instaurado pelo evangelho é o motivo desse mandamento está no decálogo e não que este seria uma norma moral.
quinta-feira, 10 de novembro de 2022
Lucas 23.43
Explicando Lucas 23.43 que diz ''E disse-lhe em verdade te digo, hoje comigo estarás no paraíso''.
Adventistas e Testemunhas de Jeová explicam esse texto que claramente defende a imortalidade da alma do mesmo modo, dizem que os textos gregos originais não tinham vírgula. Sim, mas se esquecem que depois o texto grego foi pontuado precisamente e nesse texto não foi colocada a vírgula.
O argumento dos adventistas e das testemunhas de Jeová na verdade é contra eles mesmos, pois quem precisa de vírgula para esse texto afim de justificar suas doutrinas são eles, pois o texto original não tinha pontuação.
E na verdade o problema não é de pontuação, mas de arranjo sintático das palavras. Se Jesus quisesse dizer como desejam os adventistas e as testemunhas de Jeová sua frase seria: Hoje em verdade te digo que estarás comigo no paraíso'', mas Jesus não falou assim, o que Ele disse foi: Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso. A palavra 'hoje' (SÉMERON em grego) está depois da frase ''eu te digo'' e não antes.
Deve-se ainda dizer que ninguém ao falar diz que ao falar fala hoje, isso não tem sentido, quando falamos algo, falamos naquele momento, que é o hoje. Se fosse para dizer algo parecido como querem as testemunhas de Jeová ou os adventistas, Jesus teria usado o advérbio ''agora'' (VUV em grego) e não ''hoje''.
Jesus ao falar ao malfeitor buscava confortá-lo já lhe antecipando algo, o homem pediu para ir ao Reino de Deus, e Jesus lhe disse, que já naquele dia, estaria com Ele no paraíso.
E só complementando, alguns têm dito que existe uma regra grega que um advérbio grego entre dois verbos se liga ao verbo antecessor, mas em Lc 23.43 o advérbio ''hoje'' não está entre dois verbos, ele segue imediatamente o verbo dizer, que geralmente iniciava uma declaração. Já em Lc 19.5 quando Jesus disse ''desce depressa, hoje convém ficar em tua casa'', o mesmo advérbio grego ''hoje'' está imediatamente antecedido de um verbo, no caso, o verbo descer, e a vírgula é colocada entre esse verbo o advérbio no texto grego, exatamente como em Lc 23.43.
P.S.: É preciso que se diga, que o códex ou códice vaticano do quarto século apresenta uma pontuação feita de data anterior a sua confecção, visto que no século quarto o grego koiné não era pontuado. Essa pontuação que se apresenta é bem posterior e de modo algum é original, foi feita por alguém que tentou pontuar o manuscrito muitos anos depois. O códex sinaítico da mesma data desse, por exemplo, não tem correção posterior nesse versículo, visto que também ele tem essa mesmo tipo de correções posteriores. Para quem estuda a crítica textual essas correções posteriores não são levadas em conta, mas apenas o texto original.
E vendo a correção do manuscrito nesse verso, percebe-se que não havia espaço para se colocar uma vírgula no versículo e que sem dúvida ela é posterior.
O tal hebraísmo que, segundo o adventista Rodrigo Silva, supostamente influenciou o grego bíblico, como na frase do texto hebraico "o mandamento que hoje te ordeno", é de fato ligado a muitos textos do Antigo Testamento, mas não se trata de um hebraísmo, mas do simples fato de se relatar o que acontecia ou o que Deus ordenava naquele mesmo dia, afinal a Palavra de Deus estava sendo escrita ou sendo proferida naquele instante, e é isso que é enfatizado e que não influenciou o grego do Novo Testamento que já se confirmou era o mesmo usado pelos escritores não cristãos da época do helenismo, onde se escrevia e falava esse dialecto, o koiné. Além do mais, uso do advérbio "hoje" numa posição para que significasse "agora" é perfeitamente possível, mas não é o caso de Lc 23.43 visto, como já expliquei, Jesus queria antecipar para aquele dia o pedido futurístico do malfeitor crucificado ao seu lado, era como uma garantia de sua estada no Reino que Cristo implantará.
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Jo 5.18
Abolição do sábado por Jesus
Lemos em Jo 5.18 "Por este motivo os judeus mais procuravam matá-lo; não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (Almeida).
No original grego o verbo traduzido por "quebrantava' é o o verbo grego LYO e significa "soltar", "libertar", "abolir", e o sentido em Jo 5.18 é "abolir", e uma boa tradução seria:
"Por este motivo os judeus mais procuravam matá-lo; não só ABOLIA o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.
O Dicionário de grego/português do Gingriche e do Danker afirma na página 128 que esse é o sentido desse verbo essa passagem Jo 5.18 e em Mt 5.19 e Jo 7.23 e Jo 10.35.
Ec 3.17-21
Eclesiastes 3.17-21
17 ειπα εγω εν καρδία μου συν τον δίκαιον και συν τον ασεβη κρινει ο θεός οτι καιρος τω παντι πράγματι και επι παντι τω ποιηματι
18 εκει ειπα εγω εν καρδία μου περι λαλιας υιων του ανθρωπου οτι διακρινει αυτους ο θεός και του δειξαι οτι αυτοι κτηνη εισιν καί γε αυτοις
19 οτι συνάντημα υιων του ανθρωπου και συνάντημα του κτηνους συνάντημα εν αυτοις ως ο θάνατος τουτου ουτως ο θάνατος τουτου και πνευμα εν τοις πασιν και τί επερίσσευσεν ο ανθρωπος παρα το κτηνος ουδεν οτι τα πάντα ματαιότης
20 τα πάντα πορευεται εις τόπον ενα τα πάντα εγενετο απο του χοός και τα πάντα επιστρεφει εις τον χουν
21 και τίς οιδεν πνευμα υιων του ανθρωπου ει αναβαίνει αυτο εις ανω και πνευμα του κτηνους ει καταβαίνει αυτο κάτω εις γην
17 Disse eu em meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio porque a tempo para todas as coisas e para toda obra;
18 ali, disse eu ainda no meu coração: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais.
19 Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais: a mesma coisa lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são passageiros (transitórios). 20 Todos vão para um lugar; todos são pó e todos ao pó tornarão.
21 Quem adverte que o fôlego dos filhos dos homens sobe para cima e que o fôlego dos animais desce para baixo da terra?
Comentário:
Este texto, muito usado pelos materialistas e crentes que o homem não possui uma alma-espírito imortal, é facilmente esclarecido quando o lemos dentro de seu contexto, o verso 17 é a base de todo o entendimento da passagem. O juízo de Deus é o que diferenciaria o homem dos animais. Se não houvesse um juízo de Deus para os homens, eles de fato não seriam diferentes dos animais, já que na morte, no momento fatal, tanto os homens como os animais têm um mesmo fim, ou seja, são levados à decomposição física.
O versículo 21 a palavra grega πνευμα tem o sentido de fôlego, de respiração, e não de espírito no sentido de parte imaterial que sobrevive a morte do seres humanos. O contexto demonstra isso claramente. Em passagens bíblicas como Jó 34.15 e Is 42.5, em que a distinção entre o fôlego de vida e o espírito são explicitamente percebidos. Assim, podemos concluir que o termo grego PNEUMA (espírito) abarca não apenas um significado, mas vários, e o contexto é fundamental para decidir qual aquele que mais se adequa a cada passagem especificamente:
Em Jó 34.14 lemos: “Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego,”. Fica claro por este versículo que o fôlego de vida é distinto do espírito.
Em Is 42.5 encontramos: “Assim diz Deus, o SENHOR, que criou os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela”. Aqui também vemos que a respiração é diferente do espírito humano.
Os animais não possuem espírito incorruptível, mas o espírito ou fôlego de vida, o que seria a respiração que também o homem possui, notem:
Is 31.3 “Porque os egípcios são homens, e não Deus; e os seus cavalos, carne, e não espírito; e quando o SENHOR estender a sua mão, tanto tropeçará o auxiliador, como cairá o ajudado, e todos juntamente serão consumidos”.
Gn 7.22 “Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu”. A expressão “narinas” deixa claro que se refere à respiração.
Mt 26.28
Por que em Mateus 26.28, que diz ''pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados'', Jesus disse que seu sangue era derramado por muitos e não por todos? Seria um apoio ao ensino da expiação limitada??
A explicação é que Jesus estava instituindo a Santa ceia, e nela se celebra o aspecto de pacto do sangue de Cristo, que existe apenas entre Cristo e sua igreja. O sangue do Senhor Jesus foi vertido na cruz por todos, mas apenas os que crerem no Evangelho estabelecem um pacto em seu sangue, tendo a remissão dos pecados. Esse pacto do sangue que Cristo tem com sua Igreja nem os salvos do Antigo Testamento tem parte.
Lc 11.27,28
Correções de traduções bíblicas – Lucas 11.27, 28
3) Lucas 11.27,28
Εγενετο δε εν τω λεγειν αυτον ταυτα επαρασα τις φωνην γυνη εκ του οχλου ειπεν αυτω, Μακαrια η κοιλια η βαστασασα, σε και μαστοι ους εθηλασας αυτος δε ειπεν, μενουν μακαrιοι οι ακουοντες τον λογον του θεου και φυλασσοντες.
“Aconteceu que, ao dizer estas coisas, levantou a voz certa mulher da multidão, dizendo para Jesus: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram! E Jesus disse: VERDADEIRAMENTE são bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam”.
O termo grego μενουν, conforme o Léxico do Novo Testamento Grego, de Frederick W. Danker, página 133, ocorre apenas em três passagens em todo o Novo Testamento, em Rm 9.20; Fp 3.8 e na registrada passagem de Lucas, e apenas em Lucas o termo tem o sentido de contrariedade ou adversativo, nas outras duas passagens sua tradução tem um sentido afirmativo.
Analisando agora pela hermenêutica, vemos que, no Evangelho de Lucas, Maria de fato guardou a palavra de Deus enviada a ela pelo Anjo Gabriel, ao receber o anúncio de que seria a mãe do Filho de Deus. Ela afirmou: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra (Lc 1.38); o que depois confirmou a sua parente Isabel, cheia do Espírito Santo: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Pois, logo, que me chegou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim. Bem-aventurada a que CREU, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor (Lc 1.42-45).
Se fizermos o paralelo desses dois trechos de Lucas acima citados com o trecho que analisamos no início, ficará claro que Jesus não seria contra alguém chamar sua mãe bem-aventurada, pois foi exatamente por ela ouvir e guardar a palavra de Deus que ela veio a ser assim considerada. O texto, portanto, de Lc 11.27,28 seria assim o cumprimento do que profetizara a própria Maria em seu cântico Magnificat: “Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Sim! Doravante as gerações me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor, Seu nome é santo” (Lc 1.46-49).
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Pv 16.4
Explicando Provérbios 16.4 com outros assuntos que contestam os calvinistas.
Pv 16.4 diz "O Senhor fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o impío para o dia mal".
Esse texto é usado para defender o ensino da predestinação calvinista, mas ele não está de forma alguma apontando para esses conceitos. O ponto do versículo é que Deus fez tudo para atender seus desígnios, e dentre eles poderíamos citar a criação do homem para que sendo sua imagem, conforme sua semelhança, tivesse um arbítrio e muitas outras verdades que frontalmente negariam o calvinismo. Dizer que a até o ímpio foi criado por Deus, não está falando necessariamente de sua impiedade, mas do próprio homem que se tornou ímpio, e que nessa condição efetivada pelo próprio homem, no uso de seu arbítrio, Deus ainda consegue realizar seus desígnios. Vejamos o caso de Faraó, Deus cumpriu seus planos de ser engrandecido pelas pragas do Egito pela obstinação desse homem em não permitir o povo de Israel sair do Egito. O arbítrio de Faraó foi respeitado por Deus, em nenhum momento Deus mudou a vontade de Faraó, chegou mesmo a fortaleçe-la esdurecendo seus sentimentos humanos para que sua vontade prevalecesse mesmo vendo todo o sofrimento do seu povo por conta de sua decisão de não deixar o povo de Israel sair do Egito.
Dia mal para o ímpio é o resultado estabelecido por Deus para todo o que não obedece suas leis, não tem nada de predestinação fatalista, mas das consequências propostas por Deus e sua justiça para castigar aqueles que o desobedessem. Vejam o caso do dia da ira de Deus, chamada de grande tribulação, será para os ímpios e não para seu povo que será arrebatado antes desse período, porque como diz Pedro "O Senhor sabe livrar da provação os piedosos, e reservar para os injustos o dia do juízo para serem castigados" (2Pe 2.9). Portanto, não há nenhum indicativo de predestinação calvinista nesse texto de Pedro, da mesma forma como também não há em Provérbios 16.4.
Hb 5.11-14
Tradução e comentário de Hebreus 5.11-14
Texto grego:
11 Περὶ οὗ πολὺς ἡμῖν ὁ λόγος καὶ δυσερμήνευτος λέγειν ἐπεὶ νωθροὶ γεγόνατε ταῖς ἀκοαῖς
12 καὶ γὰρ ὀφείλοντες εἶναι διδάσκαλοι διὰ τὸν χρόνον πάλιν χρείαν ἔχετε τοῦ διδάσκειν ὑμᾶς τινα τὰ στοιχεῖα τῆς ἀρχῆς τῶν λογίων τοῦ Θεοῦ καὶ γεγόνατε χρείαν ἔχοντες γάλακτος [καὶ] οὐ στερεᾶς τροφῆς
13 πᾶς γὰρ ὁ μετέχων γάλακτος ἄπειρος λόγου δικαιοσύνης νήπιος γάρ ἐστιν
14 τελείων δέ ἐστιν ἡ στερεὰ τροφή τῶν διὰ τὴν ἕξιν τὰ αἰσθητήρια γεγυμνασμένα ἐχόντων πρὸς διάκρισιν καλοῦ τε καὶ κακοῦ
Tradução
11 A cerca disso, a palavra e a difícil interpretação temos muito a falar, visto que tardios vos tornastes em ouvir.
12 Pois também devendo ser mestres por causa do tempo, estais em necessidade de que alguém vos ensine os princípios elementares dos oráculos de Deus e tende necessidade de leite e não de alimento sólido.
13 Pois todo precisa participar de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança;
14 mas o alimento sólido é para os perfeitos, que através da prática as faculdades de discenimento estão desenvolvidas para julgar tanto o bem quanto o mal.
Comentário
O texto da carta aos Hebreus é realmente muito mais complexo de se traduzir que os demais do Novo Testamento grego. O vocabulário é rico, tendo muitas palavras que só ocorrem aqui, as chamadas HAPAX LEGOMENAS, palavras que ocorrem uma única vez, como é o caso de ÉCSIS que traduzi por "prática" e DYSERMÉNEUTOS (difícil interpretação). Há muito a construção genitivo absoluto, em que toda a fraseologia é construída no caso genitivo.
Essa passagem é valiosa porque mostra que o ofício de mestre tido como um dom de Cristo para o ministério (Ef 4.11) pode ser adquirido pelo tempo e não apenas por vocação, desde que haja um cuidado em atentar para a doutrina cristã.
No verso 11 a difícil interpretação vem acompalhada da palavra a ser interpretada, por isso fiz questão de destacar isso. Os irmãos a quem a carta foi dirigida não liam nem a palavra que tinha que ser interpretada, daí o motivo de muito ter de falar para eles.
Os princípios elementares da doutrina cristã que alguém precisava ensinar aos endereçados, encontram-se alistados logo no capílo seguite (6.1 e 2) sendo eles: Arrependimento, fé, ensinos de batismos e imposição de mãos, ressurreição dos mortos e juízo eterno. Eis os itens do catecismo cristão, negligenciados por conta da polêmica exarcebada do texto de Hb 6.4-6.
Lc 23.43
Explicando Lucas 23.43 que diz ''E disse-lhe em verdade te digo, hoje comigo estarás no paraíso''.
Adventistas e Testemunhas de Jeová explicam esse texto que claramente defende a imortalidade da alma do mesmo modo, dizem que os textos gregos originais não tinham vírgula. Sim, mas se esquecem que depois o texto grego foi pontuado precisamente e nesse texto não foi colocada a vírgula.
O argumento dos adventistas e das testemunhas de Jeová na verdade é contra eles mesmos, pois quem precisa de vírgula para esse texto afim de justificar suas doutrinas são eles, pois o texto original não tinha pontuação.
E na verdade o problema não é de pontuação, mas de arranjo sintático das palavras. Se Jesus quisesse dizer como desejam os adventistas e as testemunhas de Jeová sua frase seria: Hoje em verdade te digo que estarás comigo no paraíso'', mas Jesus não falou assim, o que Ele disse foi: Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso. A palavra 'hoje' (SÉMERON em grego) está depois da frase ''eu te digo'' e não antes.
Deve-se ainda dizer que ninguém ao falar diz que ao falar fala hoje, isso não tem sentido, quando falamos algo, falamos naquele momento, que é o hoje. Se fosse para dizer algo parecido como querem as testemunhas de Jeová ou os adventistas, Jesus teria usado o advérbio ''agora'' (VUV em grego) e não ''hoje''.
Jesus ao falar ao malfeitor buscava confortá-lo já lhe antecipando algo, o homem pediu para ir ao Reino de Deus, e Jesus lhe disse, que já naquele dia, estaria com Ele no paraíso.
E só complementando, alguns têm dito que existe uma regra grega que um advérbio grego entre dois verbos se liga ao verbo antecessor, mas em Lc 23.43 o advérbio ''hoje'' não está entre dois verbos, ele segue imediatamente o verbo dizer, que geralmente iniciava uma declaração. Já em Lc 19.5 quando Jesus disse ''desce depressa, hoje convém ficar em tua casa'', o mesmo advérbio grego ''hoje'' está imediatamente antecedido de um verbo, no caso, o verbo descer, e a vírgula é colocada entre esse verbo o advérbio no texto grego, exatamente como em Lc 23.43.
P.S.: É preciso que se diga, que o códex ou códice vaticano do quarto século apresenta uma pontuação feita de data anterior a sua confecção, visto que no século quarto o grego koiné não era pontuado. Essa pontuação que se apresenta é bem posterior e de modo algum é original, foi feita por alguém que tentou pontuar o manuscrito muitos anos depois. O códex sinaítico da mesma data desse, por exemplo, não tem correção posterior nesse versículo, visto que também ele tem essa mesmo tipo de correções posteriores. Para quem estuda a crítica textual essas correções posteriores não são levadas em conta, mas apenas o texto original.
E vendo a correção do manuscrito nesse verso, percebe-se que não havia espaço para se colocar uma vírgula no versículo e que sem dúvida ela é posterior.
O tal hebraísmo que, segundo o adventista Rodrigo Silva, supostamente influenciou o grego bíblico, como na frase do texto hebraico "o mandamento que hoje te ordeno", é de fato ligado a muitos textos do Antigo Testamento, mas não se trata de um hebraísmo, mas do simples fato de se relatar o que acontecia ou o que Deus ordenava naquele mesmo dia, afinal a Palavra de Deus estava sendo escrita ou sendo proferida naquele instante, e é isso que é enfatizado e que não influenciou o grego do Novo Testamento que já se confirmou era o mesmo usado pelos escritores não cristãos da época do helenismo, onde se escrevia e falava esse dialecto, o koiné. Além do mais, uso do advérbio "hoje" numa posição para que significasse "agora" é perfeitamente possível, mas não é o caso de Lc 23.43 visto, como já expliquei, Jesus queria antecipar para aquele dia o pedido futurístico do malfeitor crucificado ao seu lado, era como uma garantia de sua estada no Reino que Cristo implantará.
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O hebraico e a Trindade
Os termos hebraicos que confirmam a doutrina da Trindade e os argumentos dos unicistas.
Em hebraico há duas palavras para 'um': אֶחָֽד = Echad e יָחִיד = Yachid, que significam, respectivamente, “unidade composta” e “unidade absoluta”. E em Dt. 6.4 um texto chave para o monoteísmo bíblico, que declara que o Senhor é um, a palavra usada é Echad 'um composto' e não Yachid que significa 'um absoluto' e isso é um dos argumentos que aponta uma clara defesa da Trindade, mostrando que já no Antigo Testamento Deus já era apontado como um ser em pluralidade como ensina a doutrina da Trindade, um único Deus constituído de três pessoas. Todavia, os unicistas, os que defendem que Deus é uma única pessoa tem procurado argumentar para defender suas ideias apresentando alguns textos que parecem negar esse fato. E aqui veremos seus argumentos e faremos os devidos esclarecimentos.
A) Tentando dizer que Yachid não significa unidade absoluta.
Dizem os unicistas: Isaque é classificado como único filho de Abraão em Gn. 22.2. “E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque…” Mesmo sendo usado Yachid, no original hebraico, ele não era, absolutamente, o único. Abraão tinha outros filhos: Ismael, por exemplo, Gn. 16.15. Mais velho que Isaque 20 anos, além de filhos de sua velhice com suas concubinas Gn. 25.6. O fato de Isaque ser chamado de ÚNICO se explica porque unidade absoluta não é o conceito da palavra יָחִיד (Yachid), podendo significar além de único, sozinho; abandonado, etc. Usam, também, na tentativa de confirmar o que pretendem, Pv. 4.3, mas este, de igual modo, não confirma o conceito pretendido, pois se reconhecermos Salomão como o escritor do capítulo 4, ele poderia ser o único de sua mãe, mas não era o único de seu pai, por aí, também, não teríamos a unidade absoluta requerida pelos argumentadores.
Refutação: Isaque era sim o único filho de Abraão e Sara, que Deus tinha feito o herdeiro da promessa. Assim, o fato de Abraão ter outros filhos com outras mulheres não nega que Isaque era o único filho de Abraão e Sara e o único herdeiro da promessa.
O texto de Pv 4.3 ao contrário do que dizem os unicistas confirma que o sentido da palavra hebraica Yachid é único absoluto pois Betseba de fato só foi mãe de Salomão. O fato de Davi ter tido outros filhos com outras mulheres não vem ao caso.
B) Tentando negar que Echad não tem o sentido de unidade composta.
1) Jr 6.26. Dizem os unicistas sobre esse verso onde ocorre Echad:
Tem-se em Jr. 6.26, outro versículo que costumam citar, mas nesse caso é o valor único do filho e não o fato de ser um filho. A intenção não recai na quantidade, mas no valor de ser único.
Refutação: A questão é que nesse caso a unidade composta é válida sim, exatamente porque esse único filho compõe todo o conjunto de expectativas.
2) Gn 2.24.
Argumentam os unicistas:
Outro versículo requerido, desta feita, para reivindicar unidade composta, para o termo Echad, é Gn. 2.24 “Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne.” Mas, observemos que o texto está mais para linguagem figurada, posto que somente figurativamente podemos entender “uma só carne” referindo-se a dois corpos físicos, ou esteticamente, no ato da relação sexual. “Tornar-se” unidade composta tomando como base seres físicos só se admite se fizermos uma análise muito superficial dessa ideia. Imaginemos agora mais detalhadamente: Um homem e uma mulher, duas unidades fisicamente distintas e literais, casam-se e tornam-se uma só carne. Se o sentido não for figurativo, então, forçosamente teremos que entender que para tornar-se unidade composta, seriam quebradas as leis da física, pois dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo; criando um novo ser, um hermafrodita: homem e mulher em “uma só carne”, e se o sentido é, de fato, figurado, então, essa passagem de Gênesis não serve como ponto de apoio correlacional à Dt.6.4 como requerido pelos defensores do argumento trinitário. A insistência vem também através da leitura de I Co. 6.16,17, mas, nesse caso, o verso 16 fala do pecado da prostituição quando um homem “torna-se um” com a meretriz; e no seguinte se informa que ao ajuntar-se com o Senhor o homem se torna um mesmo espírito, assim, ou o sentido é diverso daquele requerido pelos defensores da pluralidade composta de Echad nesses versos (Gênesis e I Coríntios), ou então Deus não é apenas uma trindade, mas uma poliunidade; muitos milhares de pessoas seriam um Espírito com o Senhor: “Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele” (ARA). Nesse pormenor de I Coríntios, não estou opinando, mas, apenas questionando.
Refutação: Ora, se ambos, marido e esposa, duas pessoas, são uma só carne, está sim se falando de uma unidade composta. Seja figurada, seja mística ou representativa a unidade é composta.
3) Dt 17.6.
Dizem os unicistas:
Outro versículo que mostra bem o engano do argumento que afirma ser אֶחָֽד (Echad) a palavra exata para designar uma “unidade composta” é Dt. 17.6 “Por boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá”. Pela boca de uma só testemunha ninguém deveria ser condenado. “Uma só” ali é אֶחָד e, sem dúvidas, essa única testemunha não é uma composição de testemunhas; nem vários entes em uma só testemunha ou coisas do gênero. Pelo contrário, a ideia do contraste numérico é inconfundível; é absolutamente UM.
Refutação: Ora, se é necessário três testemunhas para se confirmar um evento ou fato é porque esse evento ou fato precisava de uma unidade composta por três pessoas para ser aceito ou confirmado, uma única testemunha deveria ser recusada exatamente por esse testemunho não ser um conjunto de duas ou três pessoas, nesse caso é o Echad do testemunho de uma testemunha que deve ser recusado, ou seja, mesmo que o depoimento seja composto por um conjunto de informações pela testemunha, ele não deveria ser aceito, porque é o conjunto de pessoas que dá validade e não a testemunha com sua história. Além disso, é preciso lembrar que o texto está falando de pessoas, e pessoas são formadas de corpo, alma e espírito, portanto são unidades compostas. O mesmo raciocínio se aplica ao texto de Ec 4.8, onde também o termo Echad é usado para uma única pessoa.
4) Ct 6.9.
Dizem os unicistas:
Cantares 6.9: “Porém uma é a minha pomba, a minha imaculada, a única de sua mãe, e a mais querida daquela que a deu à luz …” Tanto a palavra “uma”, quanto a palavra “única” é tradução de אַחַת, uma forma feminina da palavra אֶחָֽד e como se pode perceber, não podemos requerer “unidade composta” nessa filha única, e, não se pode negar que apenas e somente uma é a amada que Salomão ali.
Refutação
Ora, a esposa de Salomão é sua esposa, e como tal é uma só carne com ele, que já vimos é o fundamento da unidade composta. Sendo a única filha de sua mãe a esposa de Salomão tornou-se para sua mãe uma unidade composta agora casada com Salomão.
Rm 9.5
Traduções comentadas - Rm 9.5
Texto grego
ὧν οἱ πατέρες καὶ ἐξ ὧν ὁ Χριστὸς τὸ κατὰ σάρκα ὁ ὢν ἐπὶ πάντων Θεὸς εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας ἀμήν
Tradução
dos quais são os pais e dos quais o Cristo segundo a carne, sendo ele, sobre todos, Deus bendito para sempre amém.
Esse verso tem sido vertido em algumas traduções como se fosse uma glorificação a Deus pai e não uma declaração referente a Jesus Cristo. Mas para que fosse algo uma glorificação como: "Deus seja bendito para sempre amém!" o verbo ser grego, o EIMÍ, deveria está no presente ou no imperativo, mas ele está no particípio (ὢν) e está dizendo o que Cristo é. E assim não pode significar uma glorificação a Deus, mas uma afirmação sobre Jesus. Além disso o contexto fala do lamento de Paulo por conta do povo israelita mesmo tendo grandes vantagens sendo o povo escolhido por Deus no Antigo Testamento ainda em sua grande maioria rejeitava o evangelho. Paulo não poderia está glorificando a Deus em tal triste situação.
Perseverança dos santos
Perseverança na santidade.
O ensino da perseverança dos santos deveria ser visto mais como uma capacidade dada por Deus de não pecarmos e não se envolver com as paixões mundanas do que um direito de não perdermos a salvação. Os calvinistas enxergam esse ensino por esse prisma de promessa, mas o crente em Jesus, que tem uma nova natureza, participante da divina, pelo Espírito Santo, sabe que tem nisso, nessa nova vida dada por Deus, a liberdade do pecado e que é exatamente por isso que sabe que não mais voltará para o mundo. É no novo nascimento que o ensino da perseverança dos santos deve ter sua base e não numa promessa de não se perder. Quem é vencido pelas paixões mundanas de 2Pe 2.17-20 é porque não participa da natureza divina de 1Pe 1.3,4, sendo mais do que vencedor sobre o pecado pela graça de Deus em Cristo Jesus.
Devemos desconfiar de pessoas que reafirmam perseverança dos santos para justificar seus deslizes. Um crente verdadeiro deve ser muito mais combativo contra o pecado e o mundanismo do que um arminiano que parece o tempo todo lembrar esse ensino porque precisa assegurar sua salvação. Não é por medo de perdermos a salvação que combatemos o pecado, mas porque nascemos de novo.
A prova para o anabatista que sua salvação era eterna vinha por causa da recusa de negar o cristianismo mesmo sob tortura, queimaduras e afogamento. A perseverança em seguir a Cristo mesmo nas mais terríveis adversidades era o sinal da perseverança de Jesus como chama Apocalipse 1.9.
Textos como 1Jo 3.9 "Quem é nascido de Deus não comete pecado, porque a semente de Deus permanece nele, e ele não pode pecar, porque é nascido de Deus" e 2Pe 1.3, 4 "visto que o seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude, pelas quais Ele nos tem comunicado as suas preciosas e mil grandes promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção que há no mundo por sua concupiscência" são os textos que comprovam a perseverança dos santos e não um ditado de "uma vez salvo, salvo para sempre!", que mais parece uma chancela para pecar.
Imortalidade da alma
A primeira menção da imortalidade da alma.
Em Gênesis 4.10 quando Deus disse a Caim logo depois que matou seu irmão que a voz do sangue de Abel clamava por Ele. Fica evidente que essa afirmação indicava que alguma do morto Abel ainda existia. Quando comparamos esse versículo com Ap 6.9-11 que fala das almas que debaixo do altar também clamam por por vingança por terem sidos mortas, fica claro que a voz do sangue de Abel clamando a Deus era também sua alma.
Conforme Mt 23.35 todas as pessoas que foram assassinadas estariam reunidas num tipo grupo afim de intensificar o clamor por justiça.
E alguém poderia perguntar: Mas por que a Bíblia não esclareceu logo sobre a imortalidade da alma? Ora, no Antigo Testamento o propósito de Deus era que os homens dessem atenção a vida na terra e não a da eternidade. Apenas em Jesus é que a vida eterna e a imortalidade foi trazida à luz (2Tm 1.10).
Possesão demoníaca e crimes
Seria possível alguém endemoniado cometer um crime e alegar inocência por conta da possessão?!
A resposta é não! Em casos de possessão demoníaca a pessoa não consegue praticar um ato objetivo contra o próximo. Havendo um conflito de domínio o espírito imundo não consegue controlar a pessoa de modo que ela faça algo completamente fora si. O que sempre acontece é algum malefício contra a própria pessoa possessa, nunca contra alguém ou de modo incriminador.
Em Tiago lemos que "cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência (natureza pecaminosa). Depois, havendo a concupiscência concebido, dá luz o pecado, e o pecado, sendo consumado, gera a morte" (1.14, 15).
Explicando textos difíceis da interpretação calvinista 2
Lição 10
Explicando textos que aparentemente apoiam a interpretação calvinista da predestinação.
Nesta lição, selecionamos alguns textos bíblicos usados pelos calvinistas para defender seus ensinos. Faremos as devidas explicações para retirar todas as dúvidas.
A) Rm 8.29 é 30.
Rm 8.29,30 "Porquanto aos que de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem de seu filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou".
O ponto em foco da interpretação desse texto está na primeira frase "aos que de antemão conheceu". O verbo grego que traduz a expressão "antemão conheceu" é PROGINÓSKO formado da preposição PRÓ (antes) e o verbo GINÓSKO (conhecer). Falando desse verbo e seu correspondente substantivo grego em sua Teologia Sistemática, o calvinista Loius Berkof, diz o seguinte: "O sentido das palavras PROGINOSKEIN é PROGNOSIS no Novo Testamento não é determinado pelo uso que delas é feito no grego clássico, mas pelo sentido especial da palavra hebraica YADA. Elas não indicam simples previsão ou presciência intelectual, a mera obtenção de conhecimento de alguma coisa de antemão, mas, sim, um conhecimento seletivo que toma em consideração alguém favorecendo-o, e que o faz objeto de amor, e, assim aproxima-se da ideia de predestinação, At 2.23; (cp. 4.8); Rm 8.29; 11.2; 1Pe 1.2. Estas passagens simplesmente perderão o seu significado, se as palavras forem entendidas apenas no sentido de conhecer alguém antecipadamente, pois nesse sentido Deus conhece previamente todos os homens".
Berkhof para fazer que os termos gregos signifiquem mais que conhecimento antecipado, busca conectar o significado dessas palavras gregas ao vocábulo hebraico YADA (conhecer) , que em algumas passagens no Antigo Testamento indicavam um sentido amoroso, como Gn. 4.1 falando da relação sexual de Adão e Eva. Acontece que a palavra hebraica YADA não corresponde às palavras gregas PROGINÓSKO (conhecer de antemão) e PRÓGNOSIS (presciência) , mas a palavra a grega GNÕSIS (conhecimento). Adão e Eva não podiam ter relações sexuais em tempos diferentes, em Romanos 8.29 Paulo está falando de um conhecimento que apenas Deus podia ter por conta de ser um atributo próprio dele. Quem conhece antecipadamente em Rm 8.29 é apenas Deus, portanto, não se trata de um relacionamento amoroso mútuo, em Deus e os eleitos, mas de fato de um conhecimento prévio de Deus.
As palavras em questão com seu real significado de presciência e conhecimento prévio dão um significado especial em Rm 8.29 não por elas mesmas, mas pelo contexto da passagem, onde Paulo está falando para a Igreja.
O significado das palavras gregas em questão não se restringem ao grego clássico, isso porque ocorrem em várias passagens bíblicas. Comparando o significado nas diversas ocorrências é que determinamos o seu sentido. PROGINÓSKO ocorre em At 26.5 e 2Pe 3.17 e significa simplesmente um conhecimento antecipado.
Berkhof acaba se valendo da mesma forma de interpretar dos teólogos católicos que ao explicar o significado da palavra irmão em grego se valem do hebraico, em hebraico "irmão" pode significar "primo", mas em grego sua etimologia significa "do mesmo ventre", tendo por sua vez uma palavra específica para "primo".
B) Em Rm 9.17,18 l.
No texto de Rm 9.17,18 que fala de Deus endurecer o coração de Faraó, precisamos entender que a decisão de não deixar o povo sair do Egito foi de Faraó, o próprio Deus previra isso:"Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir, a não ser por uma mão forte"(Ex 3.19), Deus não interferiu na decisão de Faraó, apenas tornou seu coração insensível para revelar sua grandeza.
C) Os vasos da ira e os vasos da misericórdia.
O texto de Romanos 9.19-23 é um texto base para defender a interpretação calvinista da predestinação, daí ser valioso uma exegese clara e consistente para entendermos o que ele realmente quer dizer para nós.
É importante percebermos inicialmente que perícope dos versos 19-21 é ilustrativa para que ficasse claro a posição de Deus e do homem, e que nessas condições o homem não tem do que apelar, mas essa ilustração não é o ponto argumentativo em questão. Convenhamos, dizer que um vaso não pode perguntar ao oleiro porque ele o fez de um modo e não de outro não é a mesma coisa que um homem indagar a seu criador sobre algo. Obviamente que Paulo não está dizendo que somos objetos. Sua ilustração tem apenas o objetivo de nos colocar em nosso lugar de criaturas diante de Deus, pois se Ele quisesse não teria o direito de nos considerar como simples objetos? Os textos de onde Paulo retira essa ilustração são Is 29.15, 16 e Is 45.9, no primeiro essa ilustração é usada para mostrar a ilusão de se pensar que Deus não vê nem conhece as intenções dos homens, no segundo o contexto fala da decisão de Deus de trazer seu povo de volta a sua terra por intermédio de Ciro, provavelmente Paulo cita essa passagem de Is 45 porque nela é onde encontra-se Is 45.25 que é o texto em pauta em Rm 9.6, 7. A retórica de Paulo é que Deus poderia se quisesse ser um Deus frio e ditador como o desenhado pelos calvinistas, mas claramente não é essa visão que a Bíblia nos apresenta de Deus. A prova disso é o verso que vem em seguida, o 22, em que Paulo começa agora a argumentar para explicar os procedimentos justos de Deus nos seus vasos humanos. Assim, ao invés de Paulo falar de Deus de um modo autoritário e intransigente, ele diz que Deus na verdade suportou com muita paciência os vasos da ira, mas isso com o objetivo de se fazer conhecido nas riquezas de sua bondade nos vasos da misericórdia. Note que o verso 22 se completa no 23. A partícula grega HINA (a fim de que) faz o enlace entre os vasos da ira com os vasos da misericórdia.
Nisso é preciso perguntar o que torna alguém um vaso da ira de Deus? Romanos 2.1-8 responde: "Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem.E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade" (ver ainda Rm 1.18-27).
É nesse ponto que o texto de Rm 9.19-23 se esclarece, pois os vasos da ira não o são porque Deus os fez, mas por causa de suas próprias escolhas e deliberações contrárias a vontade de Deus. Quando lemos no verso 22 que Deus suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição, precisamos notar que essa preparação não é feita por Deus, mas pelos próprios vasos. O verbo traduzido por "preparar" nesse texto é KATARTÍZO e está no tempo particípio neutro do perfeito médio-passivo ligando-se diretamente a palavra grega SKEUOS traduzida por "vaso", que é uma palavra neutra em grego, desse modo são os próprios vasos da ira que se preparam para a perdição, pois o sujeito, ou melhor dizendo o agente da médio-passiva da frase "preparados para a perdição" não é Deus, mas esses vasos por estarem no mesmo gênero do verbo no original grego. Por outro lado, quando fala dos vasos da misericórdia no verso 23 o sujeito da frase é claramente Deus, e aqui ficará claro porque me preocupei em dizer que os vasos da ira e da misericórdia estão entrelaçados de tal modo que os da misericórdia são o alvo, nos dois versos, o 22 e 23, porque a vontade de Deus é que todos sejam salvos, confirmando o que Paulo disse em Rm 11.32: "Porque Deus encerrou a todos sob a desobediência para ter misericórdia de TODOS".
Vale ainda comparar 2Tm 2.20, 21 que diz "Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e PREPARADO toda a boa obra" para mostrar que são os vasos os responsáveis pelas suas próprias classificações.
D) João 6.44.
Outro texto muito usado para defender os ensinos calvinistas é Jo 6.44 "Ninguém pode vir a mim se o pai que me enviou não o trouxer....". Destaco ainda que o verbo grego traduzido por ''trouxer'' é ELKÚO e tem o sentido de ''puxar'', ''arrastar''.
Para entendermos esse texto basta respondermos uma pergunta: Como Deus-Pai traz as pessoas a Cristo? Jo 5.36-40 responde: "Mas o testemunho que eu tenho é maior que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que faço dão testemunho de mim que o Pai me enviou. E o Pai que me enviou, Ele mesmo tem dado testemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz nem vistes a sua forma...mas vós NÃO QUEREIS vir a mim para terdes vida". Assim, o modo que Deus-Pai chamava as pessoas a Cristo era por meio dos sinais e milagres (Jo 10.25). Foi o que aconteceu no capítulo 6. Deus concedeu a Jesus o milagre da multiplicação dos pães mas em vez daqueles judeus crerem que Jesus era o Messias estavam apenas interessados no pão que comeram de graça (Jo 6.26). Por isso que Jesus disse que eles não vinham a Ele por causa da obra do Pai. Como os milagres que Deus concedia a Jesus são a base do cristianismo podemos dizer que todos que vêm a Cristo o fazem por causa de Deus-Pai.
Quanto ao verbo grego ELKÚO que tem o sentido de arrastar, ele também ocorre em Jo 12.32, que diz: ''E eu, quando for levantado da terra, ATRAIREI TODOS a mim mesmo''.
E) Atos 13.46-48 é um dos textos favoritos dos calvinistas para defender seu ensino da predestinação.
O comentário do pastor Glauco é perfeito:
"Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava.
Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a PALAVRA DE DEUS; mas, visto que a rejeitais, e NÃO VOS JULGAIS DIGNOS DA VIDA ETERNA, eis que nos voltamos para os gentios;
Porque o Senhor assim no-lo mandou: eu te pus para luz dos gentios,a fim de que sejas para salvação até os confins da terra.
E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e GLORIFICAVAM A PALAVRA DO SENHOR; e creram todos quantos estavam ORDENADOS PARA A VIDA ETERNA".
O Texto não fala de PREdestinação ou PRÉordenação, mas de "ordenados" (ou "dispostos" ou "destinados") naquele momento. A leitura acima deixa tudo claro. A atitude para com a Palavra de Deus mostra como estou em ordem para a vida eterna. Os judeus rejeitaram a PALAVRA e, logo, não se acharam DIGNOS DA VIDA ETERNA. Os gentios GLORIFICARAM A PALAVRA DO SENHOR e, logo, se ordenaram (ficaram em ordem, dispostos) para a VIDA ETERNA.
Vale ainda observar:
Esse texto de At 13.48 tem uma informação técnica que vale ser dita aqui.
A forma verbal do verbo grego traduzido por "ordenados" que é TETAGMÉNOI do verbo grego TÁSSO (designar, ordenar, fixar). Essa forma está na voz médio-passiva, e por isso tem duas formas de ser traduzida. Na voz passiva (o sujeito sofre a ação) ou na voz média (quando a ação é feita em benefício próprio) dependendo assim do contexto.
Em Atos 13.48 a tradução ideal é na voz média, ficando o texto assim:
"E ouvindo os gentios alegraram-SE e glorificaram a Palavra do Senhor e creram todos quantos ordenavam-se para a vida eterna".
Os verbos "alegrar" e "glorificar" estão em grego no imperfeito por isso as traduções colocam um SE em alegravam-SE o que necessariamente prepara o verbo seguinte para ser em ação média e não passiva. Todo o contexto mostra que a ação é dos gentios de ouvir, crer e glorificar.
F) Um texto muito citado é Is 45.7,que, diz: "Eu faço a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas as coisas". por conta deste verso muitos acham que o mal como um todo ou ligado ao pecado foi Deus quem criou, mas se lermos com atenção o sentido de "mal" nesse texto é o contrário de paz, e por isso seu sentido não é de mal no sentido moral e absoluto, mas significando a guerra o contrário da paz. Alguns têm rebatido essa explicação dizendo que nós manuscritos do mar marto a palavra paz é substituída por bem e não paz, e por isso acham que mal nesse verso significa o mal moral. Para isso podemos argumentar que tanto as trevas como o mal são derivações da luz e do bem, não tendo sido criadas diretamente por N Deus, são desdobramentos da luz e do bem criados por Deus, as trevas são a ausência da luz, enquanto as trevas são a ausência da luz; tanto é assim que essas coisas boas são citadas em primeiro lugar no versículo.
G) Judas Iscariotes, que traiu Jesus, não era um crente salvo?
Para responder disso, vejamos o texto bíblico de Jo 6.64-70: "Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam e quem era o que o havia de entregar. E dizia: Por isso, eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido. Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele. Entâo disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna e nós temos crido e conhecido que és o Cristo, o Filho de Deus. Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo". Esse texto é muito rico, primeiramente deixa claro que Judas Iscariotes nunca foi crente de fato, além disso contesta qualquer conceito de graça irresistível, o modo como Jesus indaga seus doze apóstolos se também queriam deixar de seguir como o demais indiscutivelmente mostra que não havia nenhuma influência forçando que eles o seguissem. Os sinais e milagres que Deus-Pai concedeu para Jesus realizar era o meio de convencer a todos que Jesus era o Cristo, mas nada de graça irresistível, induzindo-os a seguirem a Cristo compulsoriamente.
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