quarta-feira, 9 de novembro de 2022
Jo 20.28
Bem-aventurados os que creem no senhorio e divindade de Jesus
Jo 20.28
Texto grego
28 Ἀπεκρίθη Θωμᾶς καὶ εἶπεν αὐτῷ Ὁ Κύριός μου καὶ ὁ Θεός μου
29 Λέγει αὐτῷ ὁ Ἰησοῦς Ὅτι ἑώρακάς με πεπίστευκας μακάριοι οἱ μὴ ἰδόντες καὶ πιστεύσαντες
Tradução
Respondeu e disse Tomé para Ele: Senhor meu e Deus meu!
Disse-lhe Jesus: Porque viste-me e crestes, abençoados os que não viram e creram!
Comentário
Ao contrário do que mostra muitas traduções, Jesus não estava comparando Tomé com outras pessoas, na verdade Ele mostra que o fato de Tomé testemunhar a ressurreição de Cristo e então crer em sua soberania e divindade seria uma bênção para outros que não tiveram esse privilégio.
É importante destacar que Tomé não estava expressando um assombro, mas estava falando para Cristo ("disse Tomé para Ele"), no verso 29 o pronome grego ME ("viste-me") reforça que de fato Tomé asseverava quem Jesus era.
Rm 9.5
Traduções comentadas - Rm 9.5
Texto grego
ὧν οἱ πατέρες καὶ ἐξ ὧν ὁ Χριστὸς τὸ κατὰ σάρκα ὁ ὢν ἐπὶ πάντων Θεὸς εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας ἀμήν
Tradução
dos quais são os pais e dos quais o Cristo segundo a carne, sendo ele, sobre todos, Deus bendito para sempre amém.
Esse verso tem sido vertido em algumas traduções como se fosse uma glorificação a Deus pai e não uma declaração referente a Jesus Cristo. Mas para que fosse algo como "Deus seja bendito para sempre amém" o verbo ser grego, o EIMÍ, ou deveria está no presente ou no imperativo, mas ele está no particípio (ὢν) e está dizendo o que Cristo é. E assim não pode significar uma glorificação a Deus, mas uma afirmação sobre Jesus.
O artigo masculino grego que está com palavra grega Cristo (ὁ Χριστὸς) aparece sozinho antes do verbo EIMI no particípio (ὁ ὢν), mostrando que está realmente se referindo a Jesus.
Além disso o contexto fala do lamento de Paulo por conta do povo israelita mesmo tendo grandes vantagens sendo o povo escolhido por Deus no Antigo Testamento ainda em sua grande maioria rejeitava o evangelho. Paulo não poderia está glorificando a Deus em tal triste situação.
A obra e a pessoa do Espírito Santo
A obra e a pessoa do Espírito Santo.
Muitos confundem a obra do Espírito Santo com sua pessoa e por isso julgam que Ele não seja um ser pessoal.
Em Tito 3.6 lemos o Espírito Santo foi derramado ricamente sobre a igreja. Mas se for lido o texto anterior fica claro que isso é um acréscimo a sua obra salvífica. No verso 5 é dito que a salvação é feita pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. O derramar do Espírito se refere as virtudes e graças que derivam dele, como o amor e os dons espirituais (Rm 5.5; 1Co 12.7-11). Em Atos 2.17 é dito que esse derramar é do Espírito, confirmando ser uma operação dele.
Sendo um ser espiritual divino como Deus-Pai, o Espírito Santo é percebido apenas em suas operações, por isso essas ações serem tidas como sendo Ele.
Para os que acham que o Espírito Santo é uma força ou poder, lemos em Rm 15.13 que Ele tem poder e não que seja; em 2Co 6.6 e 7 Ele é claramente distinguido do poder de Deus. E como esquecer da famosa passagem "Nem por força nem por violência mas pelo meu Espírito diz o Senhor (Zc 4.6).
A comunhão do Espírito Santo uma comunhão com Jesus e Deus-Pai.
Jesus disse que ficaria com seus discípulos depois que ressuscitasse (Mt 28.20) e isto se deu pela vinda do Espírito Santo para ficar em seu lugar (Jo 14.16-18). A comunhão do Espírito Santo (2Co 13.13) é a comunhão com Jesus (1Co 1.9), que é a mesma comunhão com Deus (1Jo 1.3; 3.24).
Tertuliano e a Trindade
Tertuliano e a Trindade
Tertuliano um pai da igreja (155-220 d.C.) é mais conhecido como aquele que primeiramente usou a termo Trindade para falar das pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Em uma obra escrita por ele, não só usou a palavra "Trindade", mas também "pessoa" e "substância" para explicar a doutrina da Trindade ao refutar o ensino unicista, que diz ser o Pai, o Filho e o Espírito Santo são a mesma pessoa (sabelianismo e modalismos são termos sinônimos dessa mesma heresia).
Tertuliano escreveu em latim e por isso devemos entender que sua crença na Trindade já derivava da igreja apostólica que usou inicialmente o grego para pregar o evangelho.
Alguns antitrinitários, não conseguindo negar que Tertuliano cria na Trindade, têm dito, contudo, que ele não cria na doutrina que posteriormente foi formulada nos concílios eclesiásticos que se sucederam (Niceia, Constatinopla), e argumentam que Tertuliano usou os termos "pessoa" e "substância" num sentido jurídico e não metafísico. Para justificar isso limitam-se a citar o comentário de um historiador moderno, Justo L. González. Mas esse comentário desse historiador se apoia no fato de Tertuliano ser advogado. Ora, apesar de Tertuliano ser advogado, ele estava escrevendo uma obra metafísica, o assunto era teológico, e nada no texto indica essa suposição.
Outros antitrinitários tem dito que Tertuliano cria numa Trindade diferente da que hoje abraçamos. Dizem que Tertuliano acreditava que Jesus era um Deus derivado e não co-eterno com Deus-Pai. Mas na verdade, Tertuliano apenas usava uma ilustração para explicar a unidade entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Usar sua explicação ilustrativa como definição perfeita do eterna unicidade de Deus em suas pessoas é muito apelativo.
Curioso é que esses mesmos argumentos são usados pelas Testemunhas de jeová, os unicistas e a nova heresia da unidade absoluta de Deus.
A trndade no tempo de Tertuliano
A Trindade no tempo de Tertuliano.
Os antitrinitários tem dito que na obra Contra Praxeas, ele parece indicar em uma citação que o ensino da Trindade causava certo espanto entre as pessoas mais simples e que por isso não era um ensino tão antigo assim. Mas isso não parece concordar com o que Tertuliano disse no capítulo dois dessa obra, veja:
"Nós, contudo, como de fato sempre temos feito (e mais especificamente depois de melhor instruídos pelo Paracleto, que guia os homens realmente para toda a verdade), acreditamos que há somente um Deus, mas sobre a seguinte dispensação, ou οἰκονομία, como é chamado, que este único Deus tem também um Filho, Sua Palavra, que procede d'Ele próprio, por quem todas as coisas foram feitas, e sem quem nada seria feito. É ele quem acreditamos ter sido enviado pelo Pai para a virgem, e ter nascido dela - sendo tanto Homem e Deus, o Filho do Homem e o Filho de Deus, e sendo chamado pelo nome de Jesus Cristo; nós acreditamos que é ele quem sofreu, morreu e foi enterrado, de acordo com as Escrituras, e depois de ser levantado novamente pelo Pai, e levado novamente aos céus, para sentar à mão direita do Pai, e que ele virá para julgar os vivos e os mortos; quem mandou dos céus também do Pai, de acordo com sua própria promessa, o Espírito Santo, o Paracleto, o santificador da fé daqueles que acreditam no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Que esta regra de fé veio até nós do início do Evangelho, mesmo antes de qualquer dos antigos hereges, muito antes de Práxeas, um aspirante de ontem, ficará claro tanto pelas datas tardias que marcam todas as heresias quanto pelo caráter original de nosso novo pretensioso Práxeas. Neste princípio também devemos doravante achar uma presunção de força igual contra toda e qualquer heresia - que tudo que é primeiro é verdadeiro, ao passo que é espúrio tudo que for tardio".
A citação de Tertuliano usada pelos antitrinitários que parece indicar certo espanto entre os cristãos ao se explicar a Trindade é essa, do capítulo três de Contra Praxeas:
"Os simples, de fato (não vou chamá-los de tolos ou ignorantes), que sempre constituem a maioria dos fiéis, estão chocados com a dispensação (dos Três em Um), com base no fato que sua própria regra de fé os retira da pluralidade de deuses para um único verdadeiro Deus; não entendendo que, apesar Dele ser um único Deus, ele deve ser crido em sua própria οἰκονομία".
Ocorre que vista dentro do seu devido contexto, na verdade esse "fiéis" citados não são os crentes que criam na Trindade, mas os seguidores dos hereges, veja:
"Os simples, de fato (não vou chamá-los de tolos ou ignorantes), que sempre constituem a maioria dos fiéis, estão chocados com a dispensação (dos Três em Um), com base no fato que sua própria regra de fé os retira da pluralidade de deuses para um único verdadeiro Deus; não entendendo que, apesar Dele ser um único Deus, ele deve ser crido em sua própria οἰκονομία. Eles assumem a ordem numérica e a distribuição da Trindade como sendo uma divisão na Unidade; enquanto que a Unidade a qual deriva a Trindade de seu próprio ser está tão longe de ser destruída, que é justamente suportada por ela. Eles estão constantemente nos acusando de que somos pregadores de dois ou três deuses, enquanto eles tomam preeminentemente para si o crédito de serem adoradores de Um Deus, como se a Unidade em si com deduções irracionais não poderia produzir heresias, e a Trindade racionalmente considerada constitui a verdade".
A personalidade do Espírito Santo
A personalidade do Espírito Santo
As críticas que geralmente são feitas para negar a personalidade do Espírito Santo sempre são realizadas em cada citação bíblica que é feita dele, onde fica evidente que Ele é uma pessoa. Por exemplo, quando lemos que o Espírito é chamado de testemunha, os que tentam negar sua personalidade logo citam que em 1Jo 5.8 o sangue também é chamado de testemunha, mas do sangue não se menciona que ele também ora, intercede, entristece-se, ama, guia, comunga, fala, ouve, etc. E esse é o ponto que se deve observar: o sangue ou outras coisas que assumem uma característica pessoal, sempre são pontuais, e não generalizados como é o Espírito Santo.
segunda-feira, 8 de junho de 2020
Estudo de palavras, destacando os pressupostos calvinistas dos decretos de Deus para a salvação
O vocábulo grego PRÓTHESIS traduzido por propósito, intenção, vontade, desígnio deriva do verbo PROTÍTHEMI (ter propósito, planejar) é formado da preposição PRO (antes) e o verbo TÍTHEMI (por, colocar, estabelecer) ocorrendo no Novo Testamento nas seguintes passagens: Rm 3.25, Ef 1 3 e Ef 1.9.
PRÓTHESIS ocorre em Mt 12.4, Mc 2.26, Lc 6.4, At 11.23, 27.13, Rm 8.28, 9.11, Ef 1.11, 3.11, 2Tm 1 9 e 3.10.
PRÓTHESIS não tem o sentido de decreto como parece ser o desejo dos adeptos da crença calvinista da predestinação. Seu sentido é desejo e propósito e não de um tipo de determinismo que estabelece os eleitos. O ensino bíblico mostra que a ênfase da obra de salvação é a morte de Jesus, mas os calvinistas sempre destacam que são os decretos de Deus, coisa que as Escrituras de modo algum afirmam ou destacam. A salvação tem sua ênfase na obra do calvário, no sacrifício expiatório de Jesus e não em decretos divinos que elegem os homens para a salvação. Curiosamente porém toda a teologia calvinista aponta isso como pressuposto básica de suas crenças sem que a Bíblia em lugar nenhum faça tal destaque.
O vocábulo grego PRÓTHESIS traduzido por propósito, intenção, vontade, desígnio deriva do verbo PROTÍTHEMI (ter propósito, planejar) é formado da preposição PRO (antes) e o verbo TÍTHEMI (por, colocar, estabelecer) ocorrendo no Novo Testamento nas seguintes passagens: Rm 3.25, Ef 1 3 e Ef 1.9.
PRÓTHESIS ocorre em Mt 12.4, Mc 2.26, Lc 6.4, At 11.23, 27.13, Rm 8.28, 9.11, Ef 1.11, 3.11, 2Tm 1 9 e 3.10.
PRÓTHESIS não tem o sentido de decreto como parece ser o desejo dos adeptos da crença calvinista da predestinação. Seu sentido é desejo e propósito e não de um tipo de determinismo que estabelece os eleitos. O ensino bíblico mostra que a ênfase da obra de salvação é a morte de Jesus, mas os calvinistas sempre destacam que são os decretos de Deus, coisa que as Escrituras de modo algum afirmam ou destacam. A salvação tem sua ênfase na obra do calvário, no sacrifício expiatório de Jesus e não em decretos divinos que elegem os homens para a salvação. Curiosamente porém toda a teologia calvinista aponta isso como pressuposto básica de suas crenças sem que a Bíblia em lugar nenhum faça tal destaque.
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