terça-feira, 12 de julho de 2016

As crônicas das guerras espirituais de 11 de Julho de 2016

O seminário nesse semestre praticamente me deixou sem fazer as pregações públicas nos guetos das favelas de Fortaleza, mas não senti nenhuma repreensão de Deus em meu coração, o que me confirmou para mim a legitimidade da parte de Deus do Instituto Pietista de Cultura idealizado e promovido pelos pastores da minha igreja. Mas mesmo assim senti falta e estava ansioso que chegasse logo as férias.

Há uns quatros dias quase instintivamente fui buscar meu sobretudo que estava na casa de minha mãe, depois de tirar o pó coloquei-o no sol já sinalizando para minha esposa que logo, logo estaria mais distante dela e dos meninos.

Acordei cedo em 11.07.16 fui à padaria comprei o pão e cumpri minhas responsabilidades calado e distante de todos em casa, até minhas brincadeiras ficaram artificiais. Maria, minha casula umas três vezes me perguntou: o senhor está pensando em quê pai? O silêncio calmo era a resposta porque tão absorto estava que nem me percebia que seria hoje que iria sair para pregar em minhas pregações extemporâneas que não deixam também de serem momentos de acontecimentostotalmente imprevisíveis.

Só às 16 horas sinalizei claramente que hoje iria pregar. Depois disso até a cachorrinha Nega ficou quieta e não fez convites caninos para que eu e ela passeássemos nas areias da Praia do Futuro.
Quando fui tomar café e percebi que a garrafa estava seca foi que minha esposa disse que tinha esquecido de comprar o pó, e então me toquei que já fazia vários dias que não bebia café. Decidi antes de sair comprar pó já que minha esposa gosta muito dessa bebida e me senti mal de ter esquecido de prover a dispensa deste ingrediente. Pedi ao Júnior para vestir a calça comprida para irmos no mercadinho antes deu sair. Mas minha esposa enérgica disse: Deixa isso para depois Luiz, se na volta a mercearia estiver aberta você compra. Era a deixa. Cinco minutos depois eu já estava no ônibus.

Pela janela do ônibus fiquei absorto em pensamentos esquecidos vendo as luzes mais intensas dos postes de energia elétrica da orla de Fortaleza. Estão bem mais iluminados. A cidade de Fortaleza está mais bonita foi então que percebi. A claridade do aterro da praia de Iracema estava muito intensa tornando a praia quase de dia. Recordei que logo, logo haverá eleições.
Ao descer do ônibus na décima região militar lembrei dos Escoteiros Anabatistas estava precisando deixar o grupo mais ativo, ele praticamente só existe na minha cabeça e nos sonhos de aventura do Glauquinho.

Depois de vestir o sobretudo parece que todos os olhos de voltam para mim. Sinto-me como o Capitão América com uma roupa que em vez de camuflar faz é chamar a atenção para te fazer o alvo principal do inimigo, salvando ou dando liberdade aos outros soldados para batalhar tranquilos.
Fui em direção a praça do Ferreira, logo quando cheguei vi dois jovens de minha igreja (Janderson e Mateus Hélade) conversando com um rapaz. Quando me viram eles brilharam de alegria. É até revigorante o Mateus sair daquele jeito preguiçoso dele para o entusiasmo de seu sorriso colorido.
Na pregação me vali do cuidado do prefeito em melhorar a cidade antes das eleições para falar de “PRE-FEITURA” o conceito que esta palavra tem de se procurar fazer as coisas por antecipação. Discorri sobre a volta de Jesus e a devida preparação para ela através da conversão. Foi um sermão vigoroso, senti unção e receptividade.

Depois saí com o Jandersom e Mateus Helade conversando pelo centro vazio da cidade de Fortaleza. Logo a pergunta que muitos gostariam de saber veio à tona: “Qual a história do sobretudo? Expliquei-lhes que o jaquetão foi um presente de minha mãe, não houve nada predestinado por mim, ele comprou de uma mulher por dois ou três reais (menos de um dólar). Eles se surpreenderam, mas é a verdade. Depois eu perguntei a minha mãe se ela sabia mais alguma coisa da peça de roupa e fiquei sabendo surpreendido também que a sobretudo tinha sido de um pescador do Serviluz que por ter de sair para o frio mar a noite se agasalhava com o casaco de moldes e características americanas ou europeu.

A capa surrada por muitas idas ao mar de um pescador simples...que coisa... Não tem como eu não associar ao conceito de Cristo do pescador de homens dito a Pedro. Sim, meu sobretudo, como diz minha esposa, foi feito para mim, nada tenho de me preocupar com as críticas. Já meu chapéu refinadamente feito de pele de ovelha, pontudo, tipo Peter Pan ou Robin Hood, que todos cobiçam, é vaidade minha mesmo (e dos outros, risos), acho bonito, gosto e ponto final.

Depois no caminho para a capela de Moriá, eu e o Jandersom conversamos demoradamente com dois jovens Mórmons. Ficamos maravilhados com o testemunho dos dois rapazes que haviam deixado tudo nos Estados Unidos para virem “evangelizar” no Brasil, tudo mesmo, família, conforto, segurança, namoradas, faculdade...de apenas 19 anos! E muitos crentes ainda continuam acomodados e se lamentando por não gozarem bem de suas vidas medíocres sem fazer nada para Deus. No evangelismo tentei mostrar para os dois jovens Mórmons que o problema da religião deles é parte do pressuposto que a igreja foi derrotada e que houve a necessidade de ser restaurada. Para nós anabatistas a igreja de Jesus não foi derrotada pelos poderes da terra ou do inferno. Sempre a igreja esteve aqui desde que fundada por Jesus. Mas o tempo era escasso e o evangelismo foi bem curto. Fiquei pasmado com a atenção dos dois jovens, o interesse deles por nós era visível. Que zelo no engano!

Na capela havia uma reunião de oração do exército da redenção. Quando chegamos à irmã Vaneide falava sobre a velhice do cristão, depois o Jandersom deu uma palavra e pedi-lhe que ele falasse do testemunho dos dois jovens Mórmons para estimular a todos. A irmã Debora comentou o riquíssimo texto de 1Co 15.58. Na oração aproveitei para me derramar diante de Deus minhas dificuldades e depois orei em voz alta para que a glória de Deus, que há no coração dos irmãos, se espalhe por muitos e que o cheiro do evangelho perfume também a muitos para a glória de Deus. 

No final o irmão Marcos profetizou usando um texto da própria Bíblia para mim. E saí dali revigorado e seguro que o Deus vivo está no comando de minha vida. 

sábado, 2 de julho de 2016

Correntes interpretativas do arrebatamento

Posições Interpretativas na Escatologia Bíblica da Igreja em relação a Grande Tribulação
Introdução:
Na matéria de escatologia bíblica há pelo menos três posicionamentos interpretativos a respeito da Igreja e do período da Grande Tribulação que são: o pré-tribulacionista, o pós-tribulacionista e o meso-tribulacionista. Vejamos resumidamente essas posições e qual a mais bem apoiada biblicamente.
Pré-tribulacionista:
Nesta interpretação a igreja não passaria pela Grande Tribulação, sendo retirada antes desse período no evento conhecido por arrebatamento. Das três interpretações essa é mais apoiada biblicamente, vejamos alguns textos que concordam com essa interpretação:
1Tessalonicenses 1.10: “e esperardes dos céus a seu Filho, a quem Ele ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos LIVRA DA IRA VINDOURA”.
Sendo a Grande Tribulação conhecida por “ira de Deus sobre a Terra” esse texto é claro em dizer que Jesus livrará aos salvos desse período. Alguns acham que essa "ira vindoura" se refere ao castigo eterno do Lago de Fogo infernal. Mas esse castigo eterno se baseia não na ira de Deus, mas na sua justiça, tanto é que só acontecerá depois do Juízo Final.
2Tessalonicenses 2.3-7: “Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá (a ira de Deus sobre a Terra) sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus. Não vos lembrais de que eu vos dizia estas coisas quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém para que a seu próprio tempo seja revelado. Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora”.
Neste texto fica evidenciado que o Anticristo é impossibilitado de se manifestar pela presença de algo que inibe a iniquidade, sendo a Igreja luz e o sal da terra (Mt 5.13,14) seria sua presença que impede a manifestação do Anticristo que se dará na Grande Tribulação.
1Tessalonicenses 5.9: “porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo”
Pós-tribulacionista:
Nessa interpretação alguns defendem que a Igreja será arrebatada somente depois da Grande Tribulação. Para argumentar a favor dessa posição interpretativa é usado o texto de Mt 24.22 que mostra que haverá escolhidos de Deus na Grande Tribulação. Os pré-tribulacionistas contra argumentam que esses escolhidos do texto não são a Igreja, mas os judeus.
Meso-tribulacionista:
Nessa posição interpretativa é defendido que a Igreja será arrebatada no meio da Grande Tribulação. Para defender essa posição os meso-tribulacionistas usam os textos de 1Co 15.52 e Ap 11.15, associando a última trombeta do arrebatamento de 1Co 15.22 com a sétima trombeta de Apocalipse. Mas a última trombeta de 1Co 15.22 não se refere a sétima trombeta do Apocalipse, mas a trombeta da redenção, que na lei de Moisés, era a última de um período de 49 anos, que ocorria no jubileu judaico, conforme lemos em Lv 25.8-10: “Também contará sete sábados de anos, sete vezes sete anos, de maneira que os dias de sete sábados de anos serão quarenta e nove anos. Então, no décimo dia do sétimo mês, farás soar fortemente a trombeta; no dia da expiação fareis soar a trombeta por toda a vossa terra. E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus habitantes; ano de jubileu será para vós; pois tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família”. O ano do jubileu judaico corresponde ao momento do arrebatamento da igreja por significar a REDENÇÃO daqueles que por suas dívidas se tornaram escravos. Já no arrebatamento ocorre a transformação do corpo dos salvos para herdarem o Reino de Deus. Essa transformação física é a conclusão da obra da salvação do Evangelho que nos agraciando com o Espírito Santo garante a ressurreição incorruptível dos nossos corpos (Rm 8.11, 23; 2Co 5.1-5; Ef 1.13, 14). No arrebatamento ocorre a redenção do corpo dos salvos por isso se relacionar com a redenção do jubileu em que havia o grandioso toque da trombeta do fim de uma geração.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Estudo de palavras bíblicas.

Em 2Tm 3.14 a expressão "de que foste inteirado" vem do verbo grego PISTÓO que deriva de PÍSTIS (fé). Assim, o sentido é está convicto.

sábado, 25 de julho de 2015

Uma das grandes dúvidas teológicas diz respeito ao texto de Mt 27.52, 53, que fala dos corpos de santos que foram ressuscitados na morte de Jesus e que aparecem a muitos na cidade de Jerusalém depois de Cristo ter ressuscitado. A dúvida seria o que aconteceu a essas pessoas depois? Seriam as primeiras pessoas que ressuscitaram com corpos incorruptíveis, as chamadas primícias de 1Co 15.23? Ou essas pessoas tiveram uma ressurreição em corpos comuns como Lázaro e o filho da viúva de Naim?
De imediato respondo que as primícias de 1Co 15.23 não são um grupo, mas o próprio Cristo conforme mostra 1Co 15.20. Mas então o que aconteceu com esses santos?
O vocábulo grego é EMFANÍZO derivado de EMFANÉS que significa “manifesto”. Assim, a melhor tradução para este verbo não seria “aparecer” como ocorre na maioria das traduções, mas “manifestar” e tem um sentido restritivo como ocorre em Jo 14.21, 22. Desse modo, aqueles santos ressuscitados não se manifestaram a todas as pessoas e tudo indica que foram levados depois ao paraíso, que segundo 2Co 12.2,3 é um lugar que pode receber corpos. Assim, esses santos estariam com Elias, Enoque e Moisés no terceiro céu aguardando a ressurreição definitiva.

sábado, 25 de outubro de 2014

Exegese de 1Pe 3.18 e 1Pe 4.6.
O texto de 1Pe 3.18, 19 não está, como pensam alguns, dizendo que o espírito de Cristo foi ao mundo dos mortos pregar aos espíritos em prisão. Quando diz que Ele foi mortificado pela carne mas vivificado no espírito isso não se refere a carne e ao espírito de Cristo. A CARNE fala na verdade dos homens que mataram a Jesus e o ESPÍRITO ao Espírito Santo que o ressuscitou conforme Rm 8.11. Por isso que a tradução mais correta deveria ser mortificado PELA carne e vivificado PELO Espírito. 
O contexto de 1Pe 3.18 deixa muito claro que o assunto do capítulo era a perseguição os carnais aos cristãos. Assim, o apóstolo usa Jesus como o exemplo aqueles que sofrem a perseguição dos carnais. Quem pregou aos espírito em prisão foi o Espírito Santo através de Noé. 
Será que o pregar aos mortos de 1Pe 4.6 significa que os mortos teriam direito a uma segunda chance de salvação. 
Não! Se analisarmos o contexto fica evidente que essa pregação é usada para julgar e não salvar. Note: 
"Os quais hão de dar conta ao que está preparado para JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS. Porque POR ISSO foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, FOSSEM JULGADOS segundo os homems na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito" (1Pe 4.5, 6). 
A frase final MAS VIVESSEM SEGUNDO DEUS EM ESPÍRITO mostra claramente que a pregação foi feita antes dessas pessoas morrerem.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Correções de traduções bíblicas

Em 1Pe 4.1 lemos na Almeida: "Portanto, visto que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também com este pensamento, aquele que padeceu na carne já cessou do pecado".

E alguns perguntam: Esse texto não sugere que Cristo tenha pecado?
Alguns argumentam que não, dizendo que a segunda parte se refere aos crentes. Mas para mim o que ocorre aqui é uma falha na tradução. No original grego a expressão "cessou do pecado" não está no caso genitivo, mas no dativo, sendo que sua perfeita tradução seria "...aquele que padeceu na carne cessou (acabou) com o pecado". A própria carta deixa claro que Cristo nunca pecou em 1Pe 2.21 e 22.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Correções de traduções do Novo Testamento

Lemos em Mt 24.22 “E se aqueles dias não fossem ABREVIADOS nenhuma carne se salvaria, mas por causa dos escolhidos serão ABREVIADOS aqueles dias”. Versão Almeida

É esclarecedor o estudo do verbo grego traduzido aqui por “abreviar” nesse texto supracitado. O verbo em pauta é KOLOBÓO e sua etimologia vem dos vocábulos gregos KOLOBÓS e KOLOBÓTES que possuem o significado de “mutilação” ou “truncamento”.
Assim, a ideia do verbo grego tem mais o sentido de mutilação ou corte. Isso mostra que a interpretação truncada das 70 semanas destinadas ao povo judeu, mencionada em Daniel 9.24-27, adotada pelos pré-milenistas, estaria sendo confirmada por Jesus, além de explicar o porquê desse corte, que seria o cuidado de Deus em salvar os judeus.
Assim, a interpretação do corte das 70 semanas de Daniel, com esse intervalo entre a semana 69 e a 70, estaria apoiada em Mt 24.22, fazendo a última semana ser separada das primeiras 69.
O problema é que a tradução do verbo grego KOLOBÓO em “abreviar” em vez de “cortar” oculta esse detalhe importante. E tal falha distorcer a interpretação do texto, pois acaba dizendo algo totalmente oposto do que ocorre, pois o corte visa expandir o tempo e não encurtar.